
se torna mulher.
Para isso,
você acaba comendo muitos dos batons de sua mãe
até descobrir que a função deles
é enfeitar não só a penteadeira,
mas também a cara
e principalmente, as relações.

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estava pendurando uma gaiola que se parecia com um móbile. pássaros de madeira balançavam presos do lado de fora de sua base. apesar da empolgação com o novo enfeite, olhei para a paisagem através da parede de vidro da sala. era uma mata com árvores bonitas. o céu estava lindo, com nuvens em formatos e cores convidando à contemplação. notei não ter abertura alguma em minha casa. nenhuma porta ou janela. tal parede de vidro me permitia ver o que existia lá fora, mas não possuía nenhuma saída. como se minha alma saísse do corpo, me vi dentro da casa pelo lado de fora da mesma. a arquitetura de minha casa era semelhante a uma gaiola.
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acordei e olhei para os enfeites pendurados na parede. um postal sobre lygia clark, uma pintura em longplay, um pente indígena. os coloquei ali durante a manhã. ultimamente, tenho recordado apenas os sonhos dos cochilos pós-almoço. pensei comigo, sendo filha de estelina: sua casa não pode ser sua prisão!
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uma semana depois da mudança resolvi deixar a casa ficar suja e bagunçada, para sentir ser este espaço habitado por mim, meus movimentos e fluxos de energia.
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planejo mudar a disposição dos móveis da sala e quarto de hóspedes.
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cerca de seis meses morando nesta casa, não compro mais nenhum utensílio doméstico. não vejo beleza nos pequenos detalhes pendurados na parede. não noto o espaço como antes. espero ansiosamente pela chuva do fim de setembro, para transformar toda a poeira do ar em barro do chão.
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a previsão do tempo é de chuva na segunda-feira. hoje não limpei a casa.
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(domingo, 25 de setembro. ouço o vendaval e os chuvisco no telhado)
para todos os trabalhadores da segurança pública,
q qdo fardados se sentem um super-homem (mais um) cheio do direito de extravasar suas frustrações pessoais. o salário não o contenta, pode ser q more na periferia (numa casa mal acabada), tb come daquele arroz com feijão pexinxado como a maioria do povo brasileiro. mas qdo veste a farda, ele interpreta (realiza e representa) o poder q o sentencia cotidianamente à uma vida de insatisfações e desejos irrealizáveis.
vide a marcha da liberdade em SP, todas aquelas percorridas pelo BR contra os aumentos abusivos das passagens de ônibus, aquelas realizadas por professores das redes públicas de ensino reivindicando melhores condições de trabalho e tantas outras em q o super-homem não está acompanhando e intervindo para salvaguardar seu povo (comedor de uma dieta de poucos nutrientes), mas sim aquele q calcula e determina seu salário de arroz com feijão!