uma performance é um disparador de performances


[FABIÃO, Eleonora. Programa performativo: o corpo-em-experiência. In: ILINX - Revista do LUME. n.4, dez. 2013]

















Descasca-se laranjas
Cássia Nunes

PERFOR7 [Como?]
São Paulo
Nov. 2016

Fotografias de Sólon Rodrigues e Gilson Andrade



Descascar laranjas, descascar a si mesma. Somos constituídos por uma multiplicidade de elementos, de camadas. Casca, pele, polpa, sementes, sumo, bagaço. Manifestamos e acessamos tais elementos em diferentes situações, a partir das experiências que cotidianamente nos atravessam. Tomando a laranja como mote para tratar das relações entre interioridade e exterioridade do eu, a performance instaura um espaço de encontros e provocações, onde a demonstração das habilidades pessoais na descascação das laranjas potencializa o compartilhamentos de saberes, memórias e afetos.

































Aparição
Cássia Nunes

Participação, Performance e Política 2016
(Lago Oeste, Brasília-DF)

fotografia de Natasha de Albuquerque



Inventar entidades na criação de uma mitologia pessoal e recebê-las. Vestir um chifre falo espinho perigo. Um unicórnio tingido a açafrão evocando um devir-pequi. Mulher amarela com um falo na cabeça. Ser do cerrado em aparição na pista de alta velocidade, como um animal cuja existência é pura travessia. Ameaçador e ameaçado. Sumir no fluir dos carros, pelas beiras, entre placas e sinalizações. Não se orientar por elas. Fugir. Vagar. Esperar o chamado do desejo por novos lugares a serem penetrados, arranhados, espetados.







Vídeo Branco (2016)
Cássia Nunes
DADASpring - Exposição Coletiva Ruminescências
(Cabaret Voltaire, Goiânia/GO)

frames de vídeo







Metamorfoses (2016)
Vídeo de Cássia Nunes
Música de Luiz Gonçalves
Texto: fragmentos de "Metamorfoses" de Ovídio (trad.: Bocage)

Frames de vídeo













Composição em branco
Cássia Nunes

ROÇAdeira – Encontros performáticos em lugares improváveis (Goiânia-GO, 2015)
Feminino Plural (Pirenópolis-GO, 2015)
Fotografias de Arnaldo Lobato e Rubens Pileggi


Composição em branco surge como um diálogo com o trabalho do artista Alex Botega, tendo como mote a técnica desenvolvida pelo artista – inspirada na tradição das paneleiras artesãs de Pirenópolis, as formas e materiais de suas esculturas e a gestualidade própria do fazer escultórico expressas nas ações de modelar, polir e trabalhar superfícies, criando e cobrindo camadas sobre camadas.
Manipulando artefatos industrializados de alumínio, por meio de procedimentos ancestrais de polimento e limpeza, a artista concebe uma poética da composição e diluição no branco, na qual ritualiza um conjunto de ações capazes de evidenciar as relações entre os principais objetos e materiais utilizados: alumínio, argila branca e areia. Transformando os objetos e seu próprio corpo em molde para a criação de sua poética, a performer também estabelece um contraponto às cores características do trabalho de Botega, por ela percebidas como reflexos de seu imaginário acerca do feminino.
Deste modo, a diluição de seu corpo e dos objetos no branco (ou a busca pelo branco), também se realiza enquanto uma diluição e apagamento do próprio feminino e suas representações coletivas, potencializados pela criação de um campo monocromático. Neste, o branco representa a ausência, o esvaziamento e a energia criadora, como também o próprio desejo da artista de reinventar-se em sua singularidade.










ao lavar a louça
quantas formigas mato por dia

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tenho problemas de v,rgula








notas de chegada#2
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Durante meu banho de chegada, escorreu pelo ralo do banheiro uma abundância de águas goianas tingidas pelo pigmento ferroso das águas daquele Igarapé, onde me despedi de Macapá. Retornei com a pele avermelhada. Por terra e ar, a cor deste outro lugar em mim viajou até aqui.




Variações
Cássia Nunes

Corpus Urbis (Macapá-AP, 2015)
Fotografia de Naldo Martins



Refletindo sobre a possibilidade de se definir com exatidão o trajeto que marcaria a passagem da linha do Equador na cidade de Macapá, a artista propõe uma série de procedimentos performáticos para sua participação no evento Corpus Urbis.

1#Procedimento: Coletar águas de rios que marcam lugares relacionados a alguns dos grandes deslocamentos geográficos realizados em sua trajetória de vida. Rio Uberabinha (Uberlândia-MG), Rio das Almas (Pirenópolis-GO) e Rio Amazonas (Macapá-AP).

2#Procedimento: Sempre que sentir vontade de beber água, a artista fará o cálculo do volume de sua sede utilizando alguns instrumentos de medição e uma fórmula inventada. Tal fórmula expressa sua busca por criar um imaginário matemático-poético que expresse suas especulações envolvendo: as alterações de seu corpo em relação ao ambiente, a exatidão dos instrumentos de medição usados e as variações sutis percebidas entre os resultados dos cálculos efetuados ao longo dos dias de realização da performance.

3#Procedimento: Transportar as águas coletadas até o monumento Marco Zero e utilizá-las para realizar seu batismo equatorial, marcando simbolicamente a primeira vez que cruzou a linha do Equador e chegou ao Hemisfério Norte.